Que grande jogo de futebol
Obviamente não sou isento. Vivi-o como adepto e vi-o como tal. Vibrei, sofri, desesperei, acreditei e exaltei !
Mas creio que se tivesse perdido ou se este jogo fosse com outras equipas, diria o mesmo: Que grande jogo de futebol!
Estes jogos avivam em nós esta doença que é o futebol. Despertam paixões, acicatam ódios. É lamentável esta bipolaridade do futebol, mas é também o que o faz dele um fenómeno que extravasa em muito os limites do relvado.
Fico contente com a vitória do Porto. Penso que o resultado mais justo seria o empate. Pelo que as equipas fizeram, pelas alternâncias no domínio do jogo.
Fica a grande questão. Quem é melhor. Eu dou a minha opinião. O Benfica é muito provavelmente melhor enquanto dura, ou seja, por pouco tempo.
A equipa do Benfica é capaz de um futebol de ataque do melhor que se vê por aí. Uma dinâmica intensa, com excelentes combinações entre jogadores, movimentação constantes, diferentes opções dejogo que criam bastantes dificuldades ao adversário e permitem a criação de espaços, muitos. O Benfica chegou 3 ou 4 vezes com muito perigo na primeira parte e para tal fez uma série terrível de ataques. Até o segundo golo, em jogada estuda é muito bem delineada e executada na perfeição por Aimar, Luisão e Cardozo.
Mas este Benfica é o Benfica no seu melhor, com Aimar a comandar um ataque cheio de fôlego e Luisão a comandar uma defesa com a cabeça no sítio.
Mas (femizmente para nós) este Benfica dura pouco. Melhorou em relação à época passada quanto a opções mas continua refém de um génio com pernas de barro: Aimar.
Aliás, este jogo tinha para mim um grande atractivo: Lucho vs. Aimar. Julgoque Aimar ganhou o duelo. O que era natural. Tem mais entrosamento com a equipa, conhece melhor o adversário. Lucho teve dificuldades a partir dos 20 minutos quando o meio-campo do Benfica se tornou mais pressionante e criou mais espaços. Mas foi important (como vários outros) a dinamizar a equipa para a reviravolta, curiosamente (mas não estranhamente) depois de Aimar sair.
Das outras grandes figuras, tenho que destacar James. A entrada do míudo (aliada à saída de Aimar) alterou completamente o jogo. E que golaço! Fica a questão do que seria o Porto com James de início, não fosse o lamentável caso das 48 horas (mais um caso em clássicos na Luz, que “desengrandecem” o SLB). Não podemos esquecer que chegou ontem de manhã , depois de um jogo e um vôo intercontinental. Dúvidas houvesse, dissiparam-se. James é um jogador à Porto!
Não quero esquecer Hulk. Acusam Hulk de ter passado ao lado do jogo depois do golo fabuloso que marcou, um golo, aliás, ao alcance de pouquissimos a nível mundial, combinando técnica, velocidade e potência. Mas Hulk esteve lá. E esteve no campo todo, inclusivé a defender. Agora foi mal municiado quando o Porto perdeu o meio-campo e foi muito marcado, e em cima, durante todo o jogo. Com isto criou espaços para os adversários. Mas até entrar James faltou ao Porto mais capacidade para tirar proveito dos mesmos.
Gostei de vários outros jogadores nas duas equipas. Grandes jogos de Moutinho, Nolito, Maicon, Gaitan.
E Cardozo. Esteve lá quando foi preciso. Devia ter matado em mais um dos lances, mas foram dois golos à matador num clássico. Para quem diz que ele não faz nenhum, isto devia chegar. Mas não, ainda faz de guarda-redes e dá uns cacetes para vermelho que o àrbitro deixa passar.
Este atalho de foiceé para chamar a atenção para a análise dominante do Benfica sobre o jogo: erros da arbitragem. Houve erros, para os dois lados. A mim, por exemplo, surpreeende-me que Maxi e Cardozo tenham terminado o jogo e que Javi e Garay não tenham visto amarelos.
Mas desculpar esta derrota com a arbitragem é mau perder. E é tapar o sol com a peneira. O Benfica foi penalizado em Coimbra. OK. Mas jogou pouco. Ontem sofreu terceiro golo em fora-de-jogo. É fácil de ver na TV mas não no campo. E as instruções são para, em caso de dúvida, beneficiar o atacante, o que foi feito.
Houve erros de arbitragem. O Benfica foi penalizado, foi. Tal como foi beneficiado de outros erros.
Em Coimbra, pela primeira vez na época, o SLB perde pontos com (alguma) influência da arbitragem. Mas entretanto o FCP tem muito mais razões de queixa das arbitragens e o SCP então nem se fala. Mas o Porto podia ter feito o choradinho das arbitragens durante a ápoca. Não o fez. Olhou para os seus problemas e procurou resolvê-los, com Lucho, Janko, alterações na equipa técnica, etc.
Que fizeram Jesus e Vieira? Asneira. Senão vejamos... Onde está Ruben Amorim? Em grande, no Braga. Onde está Djaló? No clube do coração. Onde está o lateral? Não está. Onde está o pulmão? Qual pulmão?
Eu compreendo que Jesus e Vieria tentem tapar o sol com a peneira, transferindo a responsablidade para os àrbitros. Mas que os adeptos vão na cantiga é outra coisa...
É divertido ver como Vieira, prometendo não falar das arbitragens. E estou curioso para ver como Jesus vai escapar de um castigo, depois de acusar um àrbitro assistente de errar de propósito.
O que não é tão divertido é ver como um jogo excepcional de futebol se dilui nestes fait-divers.
Para terminar uma palavra sobre o Mister. Sou um dos críticos do Vitor Pereira. Começou a época inseguro e a falar demasiado. Faltou-lhe clarividência em muitos jogos. Faltou-lhe mão na equipa e no balneário. Tremeu e o Presidente segurou-o. Mudaram-se alguns aspectos e a equipa está melhor e está mais equipa. VP está a aprender e a melhorar. Contínuo a discordar de algumas opções, mas ontem ganhou alguns pontos na minha consideração. A forma como mexeu no jogo foi corajosa e determinante. Tirar Fernando num jogo destes é um grande risco, mas foi acertado. Colocar Djalma a lateral idem. Ah, e mister, Maicon em grande a central, onde devia estar. Foi um jogo de nervos, muito equilibrado, complexo e o Vitor Pereira esteve à altura. São precisos alguns mais para assegurar a próxima época, mas julgo que há luz ao fundo do túnel e que o treinador reemerge das trevas. Ou não tivesse ganho mais um jogo no estádio do SLB.



